Alunos evadidos voltam às salas de aulas após busca ativa da Educação



Gravidez, doença, mudança de endereço, envolvimento com drogas. Essas são algumas das causas da infrequência escolar mais comuns nas unidades escolares da rede municipal de ensino. Para trazer esses estudantes de volta às salas de aula, entram em ação os articuladores das escolas, por meio do Programa Auxílio Brasil/Ficai (Ficha de Comunicação do Aluno Infrequente. “Quando as faltas estão ligadas a questões sociais, as equipes de assistentes sociais da Secretaria de Educação Ciência e Tecnologia (Seduct) articulam o trabalho com outros órgãos da Prefeitura, de modo a garantir o atendimento integral”, explicou o secretário municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Marcelo Feres. Coordenadora do setor Multiprofissional da Seduct, Adriana Gonçalves, falou sobre a importância do trabalho do setor de assistência social. “A busca ativa pelos alunos infrequentes é uma das demandas do Serviço Social na Educação e importante para evitar a evasão escolar. O papel do Serviço Social é identificar as causas e fazer os encaminhamentos necessários, visando o retorno do aluno, além de auxiliar a escola na importância do conhecimento e consideração da realidade social, visto que é um dos equipamentos sociais onde se manifesta expressões como desemprego, fome, violência, trabalho infantil, entre outros”, informou. Coordenadora do Auxílio Brasil/Ficai e assistente social, Sílvia Teixeira, coleciona histórias marcantes. Ela conta que soube de um aluno autista infrequente, foi até à casa dele e descobriu que estava sem tratamento. A coordenadora buscou ajuda, conseguiu o tratamento e, depois, ele retornou à sala de aula. Outro caso é de um aluno de Travessão, que não tinha, sequer, renovado a matrícula. A equipe conseguiu transferi-lo para outra unidade onde tem sido assíduo.



Com uma filha matriculada na Escola Municipal Marechal Arthur da Costa e Silva, em Guarus, a autônoma Géssica da Conceição Ribeiro Alves, disse que recebeu o chamado da escola. "É muito difícil, porque nem sempre posso trazer. Sou autônoma e, se não trabalhar, não ganho. Recebo cerca de 900 indo todos os dias. O bolsa família me ajuda muito, porque já tenho garantida a alimentação dos meus filhos. Agora estou recebendo, também, o Cartão Goitacá de 200, que é uma grande ajuda. Sem essas ajudas eu não conseguiria sustentar minha família, sou mãe solo. Agora, após a conversa, estou mais tranquila, porque sei que vou ser ajudada", afirmou Géssica.


"A luta é grande, mas a gente não desiste. Eu não aceito perder alunos para nenhum tipo de dificuldade", diz Sílvia. “Quem tem ajudado essa família é a comunidade escolar. Agora estamos tentando incluir a mãe em programas sociais da Secretaria de Assistência. Estamos trabalhando na intersetorialidade, porque o papel da educação já foi feito, mas precisamos da Assistência Social, porque esses meninos precisam ter vontade de voltar para casa, sair da rua e frequentar a escola”, comentou Sílvia. A Ficai visa estabelecer o controle da infrequência e do abandono escolar de crianças e adolescentes. O serviço é fruto de parceria firmada em 2015 com o Ministério Público Estadual, os Conselhos Tutelares e a Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct).

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