“Gelateca” incentiva o hábito da leitura nas escolas da rede municipal




Por fora, uma geladeira comum. Por dentro, um mundo mágico, cheio de fantasias e boas histórias. É a “gelateca”, uma geladeira que tem no seu interior uma verdadeira biblioteca e tem se tornado um dos pontos de encontro preferido dos alunos das unidades de ensino da Rede Pública Municipal. A Subsecretária de Gestão Orçamentária e Financeira da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), Carla Patrão, explica que, em breve, serão doadas mais freezers verticais sem possibilidade de recuperação, para que mais escolas possam aderir ao projeto.


“Unidades como Ciep Maestro Villa Lobos, Escola Professora Wilmar Cava Barros, Escola Nossa Senhora Aparecida e Escola Professor Paulo Freire serão contempladas nas próximas semanas. Nós compramos novas geladeiras e freezeres para as unidades este ano, e as antigas, que estavam quebradas e não podem mais ser recuperadas, estamos pintando e devolvendo para as escolas usarem nesse projeto”, explicou Carla.


Para a subsecretária, o projeto cumpre algumas funções importantes: o da reciclagem, o social, incentivo à leitura, envolvimento das famílias na escola, entre outras ações.


“Parabéns aos profissionais. Esse projeto cumpre a função de dar vida àquilo que as vezes, no senso comum, é inservível, assumindo outra função que é de ser um espaço de guardar livros que serão utilizados pelos alunos e pais. Ajuda a criança a perceber além, novas possibilidades. Esse é o papel social da escola: cativar a criança a ser leitora para o resto da vida e tornar a leitura uma prática prazerosa. O livro deve fazer parte da necessidade do aluno como ser humano, e esse é um processo que começa desde criança. A escola é o nascedouro para isso, espaço propício”, afirmou.


Uma das unidades que adotaram a gelateca é a Escola Municipal Olga Linhares, em Guarus. A diretora, Danielle Mothé, conta que a ideia partiu de professores e da direção da escola, em 2019. A geladeira foi pintada, grafitada e ganhou doação de livros dos professores e funcionários. Hoje, tem mais de cem exemplares.


“As crianças adoram. Eles podem ler aqui na escola ou levar os livros para casa. É uma forma lúdica de incentivar a leitura entre os alunos e tem funcionado muito bem. Eles cuidam, limpam, arrumam. Desenvolvemos o projeto da “gelateca” devido à falta de um espaço físico adequado a uma biblioteca, para que os alunos tivessem acesso aos livros paradidáticos e também a algumas obras importantes da nossa Literatura. Os livros são doados pelos professores e pelos pais que percebem o quanto faz falta, hoje, a rotina da leitura nesse mundo tão informatizado”, explica Danielle.


Aluna do 7º ano da Olga Linhares, Analice dos Santos Metzker, fala sobre sua paixão pelos livros e pela gelateca. “Quando eu fui fazer minha matrícula eu vi aquela geladeira e me encantei. Sou apaixonada por leitura e acho que todas as pessoas deveriam conhecer os livros. Minha tia gosta muito de ler e ela acabou passando esse hábito para mim. É como se eu entrasse em um outro espaço, um lugar que eu consigo fugir dos meus problemas e entrar numa nova dimensão que é impossível decifrar e explicar totalmente. A gente sente os personagens, chora junto, ri e participa da história. Quando vi a geladeira pensei logo que a intenção era se “alimentar” do conhecimento, dos livros, das palavras. São mundos diferentes que podemos entrar. Meu conselho para quem não gosta de ler é começar. Escolhe um filme preferido e leia o livro. Comece por gibis, que é mais fácil. Livros são preciosos. É um prazer ter essa geladeira na escola”, diz Analice.


Na Escola Branca Peçanha Ferreira, Parque Eldorado, o projeto nasceu em 2018 e será retomado no próximo semestre. De acordo com a diretora Neilce Faquer, a ideia nasceu de uma professora que pediu para usar a geladeira velha a fim de colocar livros.


“Nossa geladeira tem escrito na porta ‘vc tem fome de que?’. O mais interessante é que esse tipo de projeto permite que os próprios alunos façam a escolha dos livros que mais os encantavam, garantindo autonomia e independência. Em breve vamos retomar nosso projeto, porém, desta vez, associado à biblioteca da escola. Colocaremos colchonetes para as crianças sentarem dentro da biblioteca e ficarem ainda mais à vontade. A ideia é fazer rodas de conversa e incentivar o debate de ideias a partir das histórias que leram. Recebemos esse ano vários livros de autores muito bons, que já foram catalogados”, comentou Neilce.


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